O GÔSTO DO NADA
Mornô espírito, outrora amoroso da luta,
A esperança que um dia esporeou teu ardor,
Não quer mais cavalgar-te! E dorme sem pudor,
Velho cavalo a quem mesmo a planície é abrupta.
Dorme, ó meu coração! E em sonolência bruta!
Espírito vencido! ao velho salteador
Não tem mais gôsto o amor e não tem a disputa;
Voz da flauta ou clarim ora ninguém escuta!
Prazeres, não tenteis quem é tédio e torpor!
O adorável abril já perdeu seu torpor!
Engole o tempo enfim a vida dimunuta,
Tal como a um corpo rijo a neve só brancor.
Eu vejo do alto o globo curvo a se compor,
E não procuro mais o abrigo de uma gruta!
Ó leva-me contigo, avalanche que enluta!
Sub-versão

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